Destino, só que não.
Você é meu destino, agora eu sei. Ou não exatamente, né. Particularmente, nunca acreditei nesse tal “destino”. Na minha cabeça, o “destino” era só uma desculpa muito usada para se acomodar. Não correr atrás do que se quer, não tentar, não mover um dedo em prol de seus desejos se torna muito fácil uma vez que você acredita que o que é para ser seu está lá guardadinho esperando, não importa o que você faça. Eu sou uma das pessoas que não se conformava em ficar sentada esperando pelo destino. Ou sou muito chata ou muito legal, ou quero tudo ou não quero nada, ou tento até o fim ou nem me dou ao trabalho. Isso de “destino” que, ao meu ver, sempre foi desculpa esfarrapada, hoje não é bem assim. Gosto de acreditar que se eu não tivesse ido naquele show em que nós conversamos pela primeira vez, teríamos nos encontrado de outra forma. Quer dizer, para e pensa, tinha como não ser assim? Eu te via toda semana no inglês, te tinha no facebook, minha melhor amiga tinha rolo com o seu melhor amigo, você gostava das mesmas coisas que eu e estava em todos os eventos em que eu também estava. Mesmo sem aquele dia, nós nos esbarraríamos por aí, você puxaria assunto comigo ou vice versa, e aí seria inevitável. Bem clichê, bem comédia romântica assim mesmo: era pra ser. O que não invalida a ideia de batalhar pelo que se quer. Por exemplo, se eu não tivesse ido falar com você depois do show, você acha que estaríamos aqui? Se você não tivesse ido falar comigo lá, se não tivesse me tratado tão bem? Pois é. O destino deu uma forcinha, mas no fim das contas, ainda dependeu de nós.
Se é assim, então não temos saída, pelo menos até onde me diz respeito. Estou fadada a acordar todos os dias do seu lado, a aguentar suas manias e zoeiras, te chamar de “momor” para te irritar ou te fazer rir quando você estiver triste ou bravo, fazer bife para você mesmo não suportando nem o cheiro, cobrar boas notas - principalmente em português, por favor -, te dizer para não comer tal coisa, fuçar em tal lugar ou falar de tal jeito porque vai dar problema, mesmo sabendo que você não vai ouvir, te desafiar e apostar que ganho de você no videogame, mesmo sabendo que sempre perco - exceto pelo jogo de dança. Me ganhar na minha área? Aí já é forçar a amizade né, peste -, fazer pipoca para você só para te ver com aquela carinha de criança querendo doce e comendo tudo em dez segundos sem nem deixar um pouco para mim, colocar filme pra nós assistirmos mesmo sabendo que das duas uma: ou a gente vai se pegar e até esquecer do filme ou a gente vai dormir e acordar horas depois com a cara amassada e a tv apagada já. Como eu sei de tudo isso? Não, não é por causa do nosso destino, mas sim porque é o que eu quero, e vou passar meus dias te convencendo a embarcar nisso tudo comigo.
(Nathalia Dutra)
É tão estranho. Essa é a hora que você pergunta, “Você?”, e com razão. Mas não, tudo. Aí vem “Tudo o quê?”, mas dessa vez permaneço calada pois não sei exatamente como responder. Talvez o efeito que você tem sobre mim - e é aí que meus conceitos me entregam: conhecida como a falante, que odeia meias palavras e gestos vagos, sou obrigada a concretizar o sentimento. É, fudeu. Logo, vejamos… O jeito que beija meu pescoço e consegue me fazer perder a fala. O charme que nem sabe que tem quando me deixa ir embora e já me puxa de volta num abraço. A leveza das palavras quando quer me conquistar (mais ainda). O sorriso bobo quando digo que sou tua, e aí me chama de “minha pequena”. A malícia nos olhos cheia de subjeção, de deixar subentendido. O toque que me dá arrepios e frio na barriga. O beijo que me deixa sem fôlego. A sutil arrogância que me deixa querendo mais. A habilidade que tem de me dobrar, de acabar comigo. O dom de ser o primeiro, o único, o mais importante. É estranho que tenha chegado do nada para ter todos esse poderes. É estranho precisar de você. Aliás, estranho? Soa familiar? Conheço uma pessoa assim…
(Nathalia Dutra)
Sabe insegurança? Pois é, eu sei muito bem, conheço ela de perto. Não sei como começou, nem sempre fui assim, e hoje em dia até já passou - mas recaídas são inevitáveis. É que eu também sou humana, poxa. Costumam olhar para mim como se eu fosse obrigada a a ser confiante, feliz, despreocupada e sei lá mais o que, porque na mente deles eu sou tudo isso: sou inteligente, descontraída, divertida, bonita, habilidosa… Só vêem a parte de fora. Ninguém vê que eu também sinto medo, mais que muita gente aliás, e de muita coisa, eu só aprendi a enfrentar. Ninguém vê que eu também me sinto feia (Qual é? Quem nunca se sentiu feio na vida? Sem dramas de baixa auto-estima, por favor). Ninguém vê que eu também me sinto burra, não tem como saber todas as respostas o tempo todo e deslizes são consideráveis. Ou, na verdade, deveriam ser. Ninguém vê que eu também não sou capaz (Deixo aqui um espaço livre para a tua imaginação no alvo dessa capacidade: provavelmente, o que você pensar estará certo de qualquer forma) Ninguém vê que eu também me machuco e também tenho problemas, a diferença é que eu tive que aprender a lidar com toda e qualquer coisa. Impor limites gera consequências mas, em tais circunstâncias, ser forte é apenas a causa. Quem sabe se eu demostrasse, se eu ao menos chorasse? No entanto, aí outra vez me sinto fraca, uma das - senão “a” - piores sensações do mundo. O ponto é que é visível que não faz diferença. Quer dizer, quantas das pessoas que te perguntam “tudo bem?” realmente querem saber a resposta?
(Nathalia Dutra)
Ei lindo, você pode não deixar eu te dar um presente, mas não pode me impedir de escrever isso aqui. Enfim, um mês né? Caralho, passou rápido. Eu poderia fazer um texto enorme e falar sobre o quanto você me mudou, falar que você tem uma importância na minha vida que não faz ideia, falar que eu estou totalmente apaixonada por você - entretanto, convenhamos, seria verdade, mas não seria “eu” (até porque eu tenho meus momentos, e é legal falar tudo isso no dia a dia). Acho que você já percebeu que eu não sei ser fofa, sempre te deixo bolado comigo, te irrito o dia inteiro, e talvez seja isso que tenha chamado sua atenção em mim. Ou não. Enfim. No achismo rotineiro, eu vou tentando descobrir o que te trouxe para mim e o que te fez ficar. Lembra da conversa que nós tivemos esses dias sobre os meus textos? Eu realmente não imaginava, não esperava nunca. Sabe o que é ir para um lugar buscando uma noite como qualquer outra e, coincidentemente, acabar encontrando o que você nunca soube que procurava? Então, agora eu sei. Erros? Eu tive e você também, ninguém nasceu sabendo tudo ou fazendo tudo certo. A graça é justamente admitir, consertar, deixar o orgulho de lado e aprender juntos qual é o certo, ou melhor, “aceitável”, já que não tem lógica querer definir e limitar algo que já é tão bonito por si só: com tal estranheza e falta de coordenação e, ainda assim, transparecendo um sentimento incontestável. Sou feita de vontades e a mais constante delas é ter você aqui, porém posso dizer que apego tem que ser moderado, medido, contado, e o espaço para a saudade tem que ser permanente; afinal, o que é felicidade se não ausência de tristeza? Aqui pensando com meus botões (me senti obrigada a usar a expressão, ainda luto pelo reinado da cultura entre as tuas prioridades), talvez isso seja apenas o começo de algo lindo. Por outro lado, talvez seja só mais uma forma de karma. Analisando por esse ponto de vista, que mal teria feito eu para ter que conviver com alguém tão chato, grosso, bruto, estúpido, irritante, safado e dramático? Porém, entretanto, todavia, não obstante; o certo se faz por linhas tortas - linhas essas que me trouxeram até você. E como todo bom texto precisa de uma frase de efeito, que tal um clichê? Pois bem, EU TE AMO.
(Nathalia Dutra)
A noite me faz um bem que nenhuma outra coisa no mundo pode fazer. Não sei ao certo se é o escuro, o silêncio, a sozinhez (perdão por essa palavra que inventei agora, mas sempre achei “solidão” uma palavra muito forte, me assusta um pouco), a sensação de recomeço, ou sei lá o quê. Não sei ao certo se realmente existe um motivo, mas me identifico com a noite de uma maneira inexplicável. Ela me entende mais que qualquer amiga de infância, mais que qualquer parente próximo, mais que qualquer estranho que ouve ou lê meus desabafos por aí. A noite é, de certo modo, misteriosa, fascinante. Por trás de uma escuridão plena, há milhões de situações diferentes, pessoas felizes e frustradas, animais e pessoas invisíveis, histórias escondidas em cada bar virando a esquina. A noite me traz lembranças, mas também pontadas de esperança. Tempos melhores talvez. Eita, essa expressão “tempos melhores”, nostalgia pura. Afinal, será possível, em tempos como estes, não falar de nostalgia? Tudo parece tão melhor antigamente, menos a noite. Ah, a noite… Contínua, nunca muda, nunca abandona.
(Nathalia Dutra)
E sabe o que mais? Talvez os tempos ruins não existam. Talvez a gente só precise expandir um pouco a mente, olhar o outro lado das coisas. Talvez seja só coisa da nossa cabeça. Talvez a gente exagere nos sentimentos e acabe com o tempo bom. Ou talvez esses tempos ruins sejam necessários. Talvez a gente precise de algo péssimo para enxergar o que é bom de verdade. Talvez eles façam parte de vida, como altos e baixos. Ou talvez ele devessem ser chamados de “tempo não tão bom”.
(Nathalia Dutra)
Vou contar para vocês uma história…
Eu costumava ter um amigo que estava sempre comigo. Ele era aquele tipo de amigo que que te acompanha, sabe? Estava sempre pronto para dividir uma história e me dar um conselho. Ele tinha um jeito incrível de chegar sempre que algo remotamente ruim acontecia, e ficávamos horas remoendo o fato, pensando no que fazer, pensando em como fazer, pensando em como sair da situação - muitas vezes não havia saída, mas nós não nos importávamos, só gostávamos de compartilhar nossos medos e pesares.
Ele sabia quando aparecer, e sempre que vinha era “o acontecimento”. Seu jeito espalhafatoso impulsionava isto. Quero dizer, ele queria ser notado, e conseguia fazê-lo do melhor jeito possível. Já chegava colocando uma música, daquelas que combinavam bem com sua personalidade um tanto quanto negativa (que, diga-se de passagem, nunca foi um problema. Sua personalidade completava a minha), me fazia brigadeiro para comermos de colher, trazia filmes para assistirmos juntos, pegava o computador para ficarmos sem fazer nada por horas, apenas conversando. Desse jeitinho assim meio simples, meio torto, ele se fazia notar.
Nossa relação começou a se intensificar e, de certa forma, ele começou a mexer com a minha cabeça. Chegamos a um ponto em que ele estava presente em todos os momentos da minha vida e em todos os lugares que eu ia. Minha vida girava em torno dele. Pode parecer romântico, mas não era exatamente isso. Por mais fiel que fosse o sentimento entre nós, não me fazia bem: estava estragando minha amizades, minhas atividades e qualquer possível relação que eu viesse a ter. Eu queria me livrar dele, mas não conseguia, ele me conhecia bem demais. Sabia meu próximo passo, e adiantava-se à mim, vinculava-se à mim.
Sempre fui muito decidida, mas ele era meu ponto fraco. Assim que ele chegava, era difícil tomar qualquer decisão consciente ou dizer algo que fizesse sentido. Era como se meus atos e palavras, todos os meus pensamento fossem controlados por ele. Só com um olhar, ele me hipnotizava.
E como toda boa história tem uma boa reviravolta dos fatos, eis a minha: A questão é que a gente cresce, amadurece e aprende que decisões difíceis têm que ser tomadas para seguirmos adiante. A gente aprende a lidar com a dor e a saudade, mas a liberdade é necessária, e eu me sentia presa. Excesso nunca é bom e, no momento, nossa amizade era um excesso que precisava ser cortado. E foi. Obviamente, não foi tão fácil quanto lhes digo - a descrição nunca faz jus à verdade, não é? - mas foi suportável. Sempre fui forte, disso não há dúvidas.
Não me afastei totalmente: de vez em quando ainda nos vemos na rua, nos cumprimentamos e colocamos a conversa em dia. Admito que minha vida sem ele não teria absolutamente a menor graça, mas moderação é sempre bom. E não é que mudei? Mudei meu jeito, meus amigos, meus conceitos, me reinventei por inteira. No final das contas era exatamente o que eu precisava. Conhecem a expressão “Quem te viu, quem te vê”? Se aplica bem em mim. Vida não é o que eu levava, é o que eu tenho hoje.
E a história acaba assim. Não vejo seus rostos ao lerem este texto, mas imagino decepção, indagação. Queriam um final feliz não é? Esperavam que no final da história, eu e esse meu amigo ficássemos juntos e que tudo fosse resolvido? Pois venho lhes avisar que a vida não é um filme de comédia romântica e nem sempre o mocinho e a mocinha ficam juntos no final. Não tomem isso como um conselho, mas como um ensinamento, a vida nos prega peças. Faz achar que o errado é o certo e vice-versa, faz querer o controle de tudo quando isso, na verdade, não é possível. Lamentavelmente, nos estressamos por muito pouco. Trago-lhes também uma certeza: a vida nos prega peças, porém segue reto por linhas tortas. Querem uma prova disso? Pois bem, sinto que esse amigo de quem falo é também um grande amigo seu, entretanto não repararam por estarem atentos demais à superfície. Deixem-se envolver, vivam a vida ao máximo, não se preocupem porque para tudo há um jeito. Ah sim, já ia me esquecendo… E o nome desse meu amigo? Drama.
(Nathalia Dutra)
Hoje eu estou assim: meio vazia, meio sei lá. É, vazia mesmo. Não quero complicações, sentimentos, deveres, nem nada disso: quero mais simplicidade, tem como? Quero ouvir funk e sertanejo universitário daqueles sem conteúdo nenhum, quero conversar com meus amigos sobre coisas idiotas que não fazem sentido, quero rir das piadas mais toscas que eu ouvir, quero comer lanche e pizza e lasanha e chocolate e pastel sem me preocupar com o peso, quero ficar o dia todo de pijama e cabelo todo embaraçado. Só quero não pensar. Tem dias que a gente acorda assim mesmo - querendo o nosso espaço para ser livre sem consciência, pelo menos um pouquinho - e acha que só isso já está bom. De vez em quando é bom se desligar de tudo, viver pode cansar também.
(Nathalia Dutra)
Eu nunca namorei. Eu nunca me entreguei total e completamente à ninguém. Eu nunca tive que lidar com um término. Eu nunca tive que ficar longe da pessoa que eu amo. Eu nunca tive que aguentar ver essa pessoa sendo feliz com outro alguém. Eu nunca quis matar essa pessoa, e depois salvá-la do meu próprio tiro. Até porque, para mim, essa pessoa ainda não chegou. Mas isso não significa que eu não sofri. Não é porque os meus amores foram menos intensos ou não foram tão longos, ou porque as minhas amizades duraram até hoje, ou porque eu não sou exatamente possessiva de ciúmes como algumas pessoas, ou qualquer coisa assim, que você tem o direito de dizer que eu não sofri. Quer saber? Não afirmo com certeza, mas acho que sofri até mais do que você. Meus sofrimentos são diferentes, é, mas eu garanto que você nunca passou pelo que eu passei já. Você nunca lidou com o que eu lidei. Nunca teve as vontades que eu tive, e agora quer me rotular? Não, eu não faço drama - drama seria se eu exagerasse minhas emoções e acredite, eu não demonstro nem um terço delas. Você acha que eu não sofro porque, na verdade, eu sou melhor atriz que você (mesmo com todos os seus anos de teatro). Eu finjo que estou bem e sabe o que mais? Você diz que não é ingênua assim, mas acha que eu estou mesmo bem. Engano seu - e de todos, diga-se de passagem. Porque só eu sei como eu sou de verdade, no escuro, longe de todos, no silêncio. Não quero atenção, pena, caridade ou nada disso, desprezo tudo isso aliás: eu quero abrir seus olhos. Seu namorado terminou com você? Essa música te lembrou dele? Que chato, mas poderia ser bem pior, pensa nisso. Não fica se fazendo de coitada: essa dor que você sente é grande, mas passa.
(Nathalia Dutra)
Eu sei que é errado e frustante e decepcionante e mórbido até, mas não posso evitar imaginar o que teria acontecido se tudo tivesse sido de outro jeito. O dia do contrário, apesar dos pesares, sempre me pareceu uma boa alternativa - meu objeto de curiosidade e apreço pessoal. Será que teria validade em tempos como estes? Digo, em que o provérbio chinês não mais se faz real: a pedra pode voltar, a palavra pode ser retirada, e tudo se perdoa. Aliás, será mesmo que se pode encontrar significado real e profundo na vida nestes tempos? Ao meu ver, nada mais é válido. O mundo perdeu seus valores e suas propostas, não existe mais passado nem futuro - tudo parece se fundir em uma espécia de abismo infinito com regras absolutas e negadas por caráter. Agora me diz, quem se importa? Nos perdemos nas nossas intenções e medos, e mesmo depois de tanto esforço, somos forçados a viver com a culpa.
(Nathalia Dutra)
Pra todos vocês que tão dizendo que vão desativar e que o Tumblr tá uma bosta, leiam isso
Sim, o Tumblr mudou, mas e daí? Vocês realmente vão se deixar abalar por isso? Faz semanas que minha dash está cheia de textos enormes dizendo que o tumblr não é mais tão bom quanto era antes, e que nãoseiquem vai desativar por causa de nãoseioque e tudo isso já está me irritando. Porque vocês só reclamam, será que não percebem? Eu entrei aqui por acaso, e acabei encontrando um dos melhores lugares que eu já vi, achei um cantinho só meu. Não foi isso que vocês encontraram também? Foi por isso que vocês todos ficaram deslumbrados com o Tumblr, assim como eu. Esse deslumbro foi crescendo, a vontade de ficar aqui também, e virou “vício”, mas um vício bom. Tudo isso te fazia bem né? Agora as coisas mudaram e você já pensa em desativar, em jogar tudo isso fora assim, de repente? Pois para mim isso não faz sentido. O Tumblr pode ter mudado, as pessoas que estão nele também. É, perdemos muitos valores - entre eles o respeito - perdemos amizades, perdemos a noção, de certo modo. A questão é que o Tumblr está aqui, e quem o faz somos nós. A maioria das pessoas que agora está falando que vai desativar, que está de saco cheio, que isso já perdeu a graça e sei lá mais o que, são as mesmas que não ligam de verdade. Elas querem que o Tumblr mude e que ele volte a ser como era antes, querem os unicórnios originais de volta, mas não se dão conta de que, se o site mudou, elas mudaram com ele - ou vão me dizer que vocês ainda se autodenominam de unicórnios, usam o gif do “corram pras colinas”, usam themes fofinhos e cheios de coisinhas, tem wishlist e status, e por aí vai…? Exatamente, vocês não fazem nada disso. Porque se o Tumblr mudou, é porque todos mudaram com ele, todos deixaram ele mudar - não só em questão de respeito e asks sem educação, mas em tudo. Ser famoso aqui não significa nada lá fora, mas ser forever alone aqui também não, então parem de se fazer de vítimas. Todos vocês. Ao invés disso tudo, porque não usam o seu tempo para fazer algo mais produtivo, tipo cuidar do seu Tumblr, fazer os seus textos/frases/gifs/avatares/tutoriais/caralhoa4 e ser feliz? Haters tem em todo lugar: aqui, lá fora, na tua escola, no teu bairro. Você não pode fugir deles, mas pode não se importar. Afinal, independente disso tudo, só você pode mudar o Tumblr.
(Nathalia Dutra)
Sabe, é estranho pensar que você não está mais aqui. Ainda não caiu a ficha de que o máximo que eu tive de você no primeiro dia de aula foi um beijo que você me mandou pelo telefone de um amigo. É meio decepcionante saber que eu não vou ter você lá nas minhas aulas de inglês. Tá, eu nunca sou fofa com você e isso aqui tá mais estranho que tudo o que eu acabei de falar junto, eu tô ligada, mas é que bateu a saudade. Saudade de ter você à só alguns quarteirões de distância. Saudade de chegar te xingando porque você me deu só dez minutos para me arrumar para ir para o inglês, shopping, habib’s, enfim… Saudades de você, morfética. Qualquer dia eu apareço aí na tua casa e te trago de volta para cá à força. Eu não quero dizer que te amo, se não você vai ficar toda convencida e vai me encher o saco eternamente depois, mas é, eu te amo. E sinto sua falta bitch, tipo, MUITO. Eu não sei ser meiga com você, por isso esse texto está ficando meio sem jeito, e meu instinto natural é começar a te xingar agora, mandar você se foder, entrar em um ônibus agora e me buscar para ir na tua casa e depois me levar no Thermas ainda, e fazer você pagar um sorvete para mim só para mostrar quem manda, mas sei lá, só… Tá. Sem enrolar. Direto ao ponto. Ô coisa irritante, eu te amo pra caralho e estou morrendo de saudades. E no carnaval você vai dormir aqui em casa, não sei como, se vira.
(Nathalia Dutra)
1 - Carta para a tua paixão
Hm, minha paixão, é, se ela existisse, enfim… Oi.
Eu ainda não sei seu nome, quem é você, nem quando você vai entrar na minha vida, mas algum dia a gente se encontra. Porque, na verdade, eu não tenho paixão nenhuma no momento. Eu me sinto bem sozinha, aliás, muito melhor do que eu jamais estive.Todo o conforto que eu preciso está em mim mesma - confesso que demorou um tempo para eu me dar conta disso. De qualquer forma, quando você me encontrar, só peço para que me faça feliz. Sem clichês, sem melações, sem normalidades, mas com uma urgência, um ardor que te impede de ficar longe, que te traz sempre de volta para mim - apesar de todas as brigas que provavelmente vamos ter. Só quero ter em você a confiança de que não preciso de mais nada no mundo. Como minha Paixão, quero que me dê paixão. Estou soando um pouco carente né? Ok, então reformulamos. Quero tudo isso, mas também quero te dar tudo isso. E prometo que serei sua, e que estarei aqui, e que te amarei. E como todos dizem: que seja eterno enquanto dure.
(Nathalia Dutra)
É um desgaste tão grande sabe, tentar ser dos outros.
Segunda-feira. Quarto. Tarde. Eu olho para o relógio, são 19h27 mas parece noite dentro de mim. Vazia, é assim que eu me sinto. Sem amor, sem esperanças, sem nada em que eu possa me ancorar, ninguém para me ajudar. É como se eu não soubesse mais nada, todas os ensinamentos fugiram de mim, e agora eu estou sozinha. Ah, a solidão, meu maior medo. Estar rodeadas de pessoas e levar a vida como um ser só, fingir sorrisos e emoções que não são verdadeiramente minhas, deixar cada célula do meu corpo se contrair de dor - uma dor excruciante e invísivel, que me acerta como um punhal em chamas - mas parecer bem. Sempre pensei que seria ruim sentir isso, mas nunca o imaginei desta forma. É camuflável, se acalma às vezes, mas quando me atinge, me quebra em pedaços. Uma tarde no shopping, uma saída com as amigas, um dia normal, e de repente tudo o que eu quero é levado de mim e só me sobra a vontade de chorar. Até que minhas lágrimas sequem, até que minha visão se embace, até que não exista nenhum sentimento dentro de mim. Não sei mais se a culpa é minha ou se me deixo atingir, começo a duvidar das minhas forças, talvez eu estivesse errada. É um amontoado de coisas e tudo está girando, não sei mais se posso suportar. A primeira lágrima cai com força, abre caminho para o rio que desagua, é o fim. Choro. Sono. Outro dia. E aí será a mesma coisa: as mesmas mentiras, a mesma culpa, o mesmo medo e, como sempre, um sorriso no rosto.
(Nathalia Dutra)